Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Um belo dia nos Caldeirões

Domingo, 4 de Março: para hoje o calendário dos Amigos da Natureza apontava uma deambulação pelo Caldeirão do Inferno e pelo Caldeirão Verde, um dos passeios mais percorridos ao longo do ano por residentes e turistas. Entre nós, não foi excepção, já que muitos foram aqueles que não quiseram faltar a este magnífico passeio.
A chamada foi feita à hora habitual, no local do costume e saímos directos para o Ribeiro Frio, onde tivemos oportunidade para tomar um café energizante. Depois de tudo preparado, fizemo-nos ao caminho. O primeiro objectivo era alcançar o miradouro dos Balcões. O dia estava límpido, claro, cristalino. A cordilheira central agigantava-se sobre a Fajã da Nogueira. As encostas molestadas pelo fogo contrastavam com o verde da floresta que soube resistir às investidas das chamas. Os tentilhões pareciam esfuziantes, saltando de um lado para outro, na esperança de que lhes déssemos alguma migalha para o pequeno almoço. Deixamo-nos ficar, apreciando a paisagem que nos envolvia.
Como o grupo era grande, facilmente se dispersava. Enquanto uns ainda estavam nos Balcões, outros já se tinham lançado na descida até à Fajã da Nogueira. A vereda não se encontra no melhor estado, ainda assim está transitável.
Na Fajã da Nogueira, junto à lagoa, o grupo fez uma paragem para merendar, isto antes de se aventurar na subida pelo Montado do Sabugal, até à Casa dos Levadeiros, sempre pelo caminho florestal. Lá em cima, nova paragem para um gole de água, antes de seguirmos pela Levada do Pico Ruivo, em direcção ao Caldeirão do Inferno.
O túnel com quase dois mil metros é uma verdadeira prova para todos. Atravessá-lo mostrou-se, no mínimo, uma aventura. Mas do outro lado esperava-nos um verdadeiro paraíso. O Caldeirão do Inferno, num belo dia de sol como este, ganha novas cores, novos contornos, novas formas. Foi simplesmente fantástico poder contemplar este lugar.

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A descida para a Levada do Caldeirão Verde transformou-se, também, numa verdadeira surpresa, dados os arranjos que estão a levar a cabo nesta parte do percurso. A perigosa escadaria de outros tempos deu lugar a uns degraus simétricos ladeados por um varandim de segurança que garante a qualquer caminheiro um percurso bem mais confiável.
O próximo objectivo era chegar ao Caldeirão Verde, que, embora com pouca água, se apresentou, como sempre, belo. Os verdes misturam-se numa mescla anestesiante. Os raios de sol que espreitavam lá do alto pareciam querer pintar arco-íris no ar, ao som da água que se precipitava na lagoa. Ficámos por aqui algum tempo, antes de regressarmos à levada para segui-la até à derivação para o Vale da Lapa.
A tarde corria apressada. O tempo não tinha parado, pese embora a nossa vontade de ficar por ali a apreciar a paisagem que nos rodeava. Do Vale da Lapa à Ilha a mudança é notória. Saímos do meio da Laurissilva e mergulhámos numa floresta de transição, embora as urzes sejam uma presença constante.
Na Ilha, depois de uma descida extenuante para muitos, tivemos tempo para cantar parabéns e comer bolo. E assim se passou mais um belo domingo na serra, na companhia dos Amigos da Natureza.

Ribeiro Frio – Balcões – Fajã da Nogueira – Montado do Sabugal – Casa dos Levadeiros – Levada do Pico Ruivo – Caldeirão do Inferno – Caldeirão Verde – Vale da Lapa – Ilha

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Em família, pela Ponta Delgada

Domingo, 26 de Fevereiro: hoje era dia de mais uma ‘reunião familiar’, cujo palco escolhido foi a Ponta Delgada. Sempre bem animados, familiares e amigos encontraram-se à hora marcada na Avenida do Mar para mais uma grande aventura pelas serras madeirenses. Grande, como quem diz intensa, pois no que respeita à duração da caminhada propriamente dita, não estava previsto nada de muito prolongado.
Ao contrário do que é habitual, fizemos a nossa primeira paragem em São Vicente, para aí o grupo poder tomar um despertador café.
O destino era Ponta Delgada e foi para lá que rumámos. O convívio pós-passeio iria ter lugar no Parque de Merendas das Lombadas, pelo que antes de nos encaminharmos para a Achada Grande, na Boaventura, resolvemos ‘descarregar a mercadoria’.
Na chegada à Achada Grande o grupo mostrava-se entusiasmado e cheio de vontade de caminhar. Tínhamos pela frente um percurso suave ao longo da Levada da Achada Grande, até à madre da levada, na Ribeira do Moinho, local onde fizemos uma curta paragem para comer qualquer coisa.

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A descida para a Levada Grande foi um dos momentos altos do passeio. Como a maioria do grupo não está habituada a estas andanças, foi com naturalidade que vimos as dificuldades que alguns elementos tiveram para conseguir chegar à outra margem e pisar terra firme na Levada Grande, que passando sobranceira à Achada do Castanheiro nos ia levar até ao Miradouro das Antenas, na Ponta Delgada. O passeio a pé terminava por aqui, mas a boa disposição, o divertimento e a alegria havia de continuar tarde fora.

Achada Grande – Levada da Achada Grande – Ribeira do Moinho – Levada Grande – Miradouro das Antenas

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

Subindo a Vereda do Barbusano

Sábado, 25 de Fevereiro: o dia de hoje estava destinado à descoberta. Saímos do Funchal à hora habitual rumo a São Vicente com a intenção de percorrermos a Vereda do Barbusano, à qual, no ano passado, já tínhamos feito uma investida, mas que não se revelou muito bem sucedida.
Mas desta vez um companheiro destas lides havia nos informado de que alguém tinha passado por lá há pouco tempo e que até tinha feito alguma limpeza. Ora, não havia qualquer dúvida: era desta que nos íamos aventurar.
Depois de termos ido à padaria do costume, dirigimo-nos para a Capela de Nossa Senhora de Fátima, onde havíamos de deixar o carro. A Vereda do Barbusano ficava do outro lado, e para lá chegarmos só tínhamos de percorrer parte do Caminho Agrícola do Barbusano. E assim foi.
O início da vereda sofreu algumas alterações, consequência da construção do referido caminho e das remodelações na Quinta do Barbusano, um dos produtores de vinho de mesa regional. Por aqui o trilho calcorreia a encosta por entre os vinhedos airosamente bem tratados, para mais acima mergulhar num misto de vegetação introduzida e espécies autóctones. Eucaliptos misturam-se com vinháticos e loureiros. Urzes partilham o espaço com as giestas e o silvado. E não podiam faltar as bananilhas.

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Subindo com vontade, ainda o sol não tinha aparecido por detrás da Alta Encumeada, fomos apreciando as bordas do Paul da Serra, com o zeiguezagueante Caminho dos Estanquinhos a saltar-nos logo à vista. Os geradores eólicos pareciam praticamente parados. O vento não se fazia notar. O vale de São Vicente, desde o Rosário até ao Calhau parecia envolvido pela calma e pela tranquilidade de um dia de descanso. E tudo isto pudemos apreciar ainda com mais atenção de um miradouro, que sensivelmente a meio do percurso, convida-nos a alguns momentos de descanso. Daqui até à linha do cume foi um instante. E eis-nos na Vereda que liga o Marco Geodésico da Lombada das Vacas às Lapas Pretas, mais precisamente na zona do Chão da Poeirinha. Por aqui tivemos de decidir para onde seguir. Sabíamos da existência de um trilho aqui perto que suspeitávamos nós, dava ligação à Vereda da Fajã da Areia. Chama-se Vereda Grande e ao que sabemos há projectos para limpar esse trilho. Nós, por hoje, não quisemos perder a aventura e lá nos ‘metemos’ floresta dentro.
É impressionante a mancha florestal de Laurissilva que por aqui existe. Ficámos impressionados com o tamanho das árvores que se seguem umas às outras. É um verdadeiro paraíso mesmo à beira do ‘deserto’...
Expectantes, não sabíamos ao certo onde iríamos sair. Passámos alguns ribeiros, cruzámos alguns lombos. Mas fomos mesmo sair à Vereda da Fajã da Areia, um pouco abaixo da zona onde esta se cruza com a Levada dos Poços do Abreu.
A partir daqui, e porque o dia era de descoberta e aventura, resolvemos seguir pela Antiga Levada dos Poços do Abreu, a qual nunca tínhamos percorrido e conseguimos assim estabelecer, assim, a ligação com outro trilho que havíamos percorrido recentemente e que nos permitiu chegar mais rapidamente à Rocha dos Pombos. E porque hoje tínhamos em mente acabar o passeio não muito tarde, optámos por descer pela Vereda da Terceira Lombada, que nos levou até à Terra de Centeio.

São Vicente – Vereda do Barbusano – Chão da Poeirinha – Vereda Grande – Vereda da Fajã da Areia – Levada Velha dos Poços do Abreu – Rocha dos Pombos – Vereda da Terceira Lombada – Terra Centeio – Terceira Lombada

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Do Espigão à Terra Chã

Terça-feira de Carnaval, 21 de Fevereiro: hoje era dia de passeio especial, e tal como todos os anos acontece, do programa dos Amigos da Natureza fazia parte o Espigão de São Vicente.
Ao contrário do que tem acontecido nos outros anos, hoje não íamos percorrer o trilho habitual, já que havia a vontade de passar pelo marco geodésico do Espigão e descer pelo velho trilho da Terra Chã, em São Vicente. Assim foi.
De manhã, bem cedo, responderam à chamada 12 pessoas, todas elas à procura de alguma adrenalina e um tanto de dificuldade ao longo do passeio. E de certeza que as expectativas iam ser satisfeitas.
Depois de termos ‘apanhado’ o autocarro da vila de São Vicente para a Encumeada, começámos a nossa caminhada na Levada do Norte, em direcção ao Folhadal. Sempre a bom ritmo, o grupo manteve um andamento apreciável. Depois de cruzarmos o Caminho Florestal das Ginjas, em vez de subirmos logo para a Levada do Plaino Velho, optámos por continuar no antigo Canal do Norte e subir só um pouco mais adiante, já que assim pouparíamos algum tempo até chegarmos ao início da Vereda do Espigão de São Vicente.
Um pouco antes de nos embrenharmos no Espigão fizemos uma curta paragem como já é da praxe. A descida revelou-se bem mais fácil do que em anos anteriores, dadas as muitas ‘acções’ de limpeza que temos vindo a levar a cabo nos últimos anos. Parecia uma avenida, já que nem a feiteira que por aqui costuma ser abundante dava mostras de querer tapar-nos o caminho.

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Ora descendo, ora subindo, fomos progredindo em direcção ao Marco Geodésico do Espigão, a quase 900 metros de altitude. Na verdade, a descida entre a Vereda do Espigão e a Vereda do Marco Geodésico foi algo de estonteante, com algumas quedas a focarem gravadas para a posteridade.
No Marco Geodésico nova paragem mais demorada para apreciar as vistas e retemperar forças. A estratégia a partir daqui já estava delineada, ainda assim foi tempo de voltar a relembrar as dificuldades que nos esperavam nos próximos metros. O silvado aparece de quando em vez, as alternativas susceptíveis de enganos parecem multiplicar-se à medida que vamos dando um passo em frente. Todo o cuidado parecia ser pouco.
Começámos a descida para a Terra Chã com grande expectativa, pois não sabíamos em que estado se encontrava a vereda, se teria ou não muito mato. Fomos descendo e ‘apalpando’ terreno. As suspeitas confirmaram-se: depois dos palheiros, onde outrora existiam poios, as ‘armadilhas’ são uma constante. Subimos e descemos sempre por entre o silvado e a feiteira. Os ‘riscos na pintura’ foram uma constante. Não havia alternativa. De quando em vez lá parecia que tínhamos a vereda aos nossos pés, para mais adiante ela fugir-nos por entre o matagal. Nada a fazer, a não ser ir descendo devagar… com todo o cuidado… até à beira de onde se avista lá em baixo, aos nossos pés, a Fajã do Rente, a Água de Alto e o Centro do Ouro. Uma paisagem magnífica, de cortar a respiração, mas que tanto nos custou a vislumbrar. A partir daqui a vereda segue mais visível, em direcção à Terra Chã.
Não deixou de ser um passeio agradável, pese embora as dificuldades que sentimos para conseguir chegar ao fim. E assim foi mais um dia passado na serra…

Encumeada – Levada do Norte – Folhadal – Levada do Plaino Velho – Espigão de São Vicente – Terra Chã

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Subindo a Palha Carga

Domingo, 19 de Fevereiro: hoje o calendário apontava mais um dos magníficos passeios com os Amigos da Natureza. O percurso traçado iria levar-nos a percorrer alguns dos locais mais emblemáticos do Rabaçal.
Foi à hora habitual que nos encontrámos na Avenida do Mar para sairmos em direcção à Ribeira Brava. À chamada responderam mais de 70 caminheiros, todos eles com muita vontade de apreciarem as belezas daquela que é uma das zonas mais emblemáticas da nossa Laurissilva.
Depois de uma curta paragem na Ribeira Brava para o primeiro café da manhã lá nos encaminhámos para o Paul da Serra, mais precisamente para a zona do Lajeado, onde nos íamos fazer ao caminho.
O frio não quis faltar e veio acompanhado pelo silencioso nevoeiro que, juntos, facilmente conseguiriam desmotivar caminheiros menos experimentados, o que não era o caso.
Do Lajeado seguimos em direcção à Levada do Pico da Urze, que alguns também designam por Levada do Lajeado. Seguimos um pouco ao longo deste canal, descendo logo à frente em direcção à Lagoa da D. Beja, onde nasce a Levada do Alecrim, a qual, de resto, seguimos até metade da sua extensão. Neste ponto, tomámos a vereda que desce em direcção o Rabaçal, já que pretendíamos chegar à Lagoa do Vento e depois às Casas Florestais do Rabaçal. E assim foi.

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Reunido o grupo no Rabaçal, foi tempo de uma paragem mais demorada, antes mesmo de seguirmos em direcção à Levada do Risco e ao Risco, uma magnífica aguagem na Ribeira Grande, um dos afluentes da Ribeira da Janela.
Depois, seguimos até à 25 Fontes, onde o grupo pôde, também aqui, apreciar as belezas únicas deste local. A exuberante floresta Laurissilva não era indiferente a nenhum dos caminheiros. Mas o caminho era para a frente e lá fomos então pôr as nossas forças à prova com a extenuante subida da Palha Carga. Graças à limpeza de alguns companheiros, o percurso mostrou-se menos agressivo.
A subida culminou na Vereda do Fanal, a qual seguimos até ao Posto Florestal, local onde demos por findo mais uma grande aventura pelas serras da Madeira. Valeu a pena, pelo convívio, pelas belezas encontradas e, sobretudo, pelo companheirismo.

Lajeado – Levada do Pico da Urze – Lagoa D. Beja – Levada do Alecrim – Lagoa do Vento – Rabaçal – Risco – 25 Fontes – Palha Carga – Vereda do Fanal

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Algures, no Bosque

Sábado, 11 de Fevereiro: hoje vamos regressar ao Chão da Ribeira, depois de algum tempo de ausência por estas paragens. Tínhamos sido convidado por um companheiro do Seixal para irmos à descoberta de um trilho que não conhecíamos: a Vereda do Bosque. Claro está que o desafio foi logo aceite.
Encontrámo-nos em São Vicente, na padaria do costume, para daí sairmos para o Chão da Ribeira. Caia uma chuvinha miudinha, um quase sereno. O Chão da Ribeira àquela hora da manhã ainda dormia. Nem mesmo as gentes que continuam a amanhar a terra se já tinham ali chegado. Nós, depois de equipados, lá nos fizemos ao caminho.
O trilho ficava do outro lado do vale, logo depois da estrada. O início da vereda escondia-se, camuflado, por entre a vegetação. Mais cá, mais lá, lá conseguimos encontrá-lo. A partir daqui, embrenhamo-nos numa densa mancha florestal dominada pelo verde dos fetos num nível quase rasteiro, que é sobrevoada por copas frondosas de árvores já com uma longa idade.
Subimos sempre na fieira de um lombo. A vegetação era sempre exuberante. De um lado tínhamos um vale encaixado, do outro o vale do Chão da Ribeira. Depois de algum tempo cruzámo-nos com a Vereda da ????, que liga a Vereda da Terra Chã ao Lombo Barbinhas.
Mas por hoje não era esse o nosso destino, pelo que continuámos a subir, até alcançarmos a Vereda da Fonte de Galo, mais uma vereda que noutros tempos foi muito utilizada pelos agricultores que percorriam assiduamente estas paragens.
Se inicialmente a ideia era descermos para a Terra Chã, depressa mudámos de ideias. Acabámos por subir um pouco e encontrámos os vestígios de um antigo palheiro, do qual ainda se mantinham de pé as paredes. No enfiamento desse palheiro tínhamos uma vereda bastante larga, por cima a vereda principal de outros tempos. Ao longo da vereda ainda podemos encontrar muitas furnas, que serviriam para guardar os animais ou até mesmo pessoas, quando havia necessidade de pernoitarem por estas paragens. Para nós foi uma agradável descoberta e ficamos com pena de não podermos averiguar melhor que utilização teriam estas concavidades bem talhadas na rocha.

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Da vereda principal derivam vários trilhos secundários que davam acesso a uma espécie de grande planalto, onde hoje apenas existem urzes, uveiras, giesta e muito silvado. Mas noutros tempos por aqui devia haver várias esmoitadas, onde a agricultura seria uma realidade.
Perante uma vereda tão larga e em tão bom estado, achámos que seria uma óptima ideia encontrarmos uma ligação com a Vereda da Terra Chã, nas imediações da entrada para a Fonte Rentróia. Essa ideia ganhou ainda mais força quando mais acima o trilho que vinha largo perde-se por entre as urzes. Ficámos sem rasto e tínhamos de tomar uma decisão. Ora, perante a dúvida, dividimo-nos. Uma parte do grupo iria tentar chegar ao outro lado abrindo caminho por entre o silvado; enquanto outra parte iria furar por entre as urzes e ver onde conseguia chegar.
Quem subiu rapidamente conseguiu alcançar a Vereda da Terra Chã, quem cortou silvado pouco ou nada andou. Essa parte do grupo teve, por isso, de voltar atrás e subir por onde os outros já haviam subido.
Posto este pequeno incidente, lá continuámos caminho. E já que estávamos por aqui, resolvemos seguir para a Esmoitada da Urzeira, para depois alcançar a Levada do Norte. Ao chegarmos a este ponto, dado o adiantar da hora, já não tínhamos muitas alternativas que não fosse descer para o Chão da Ribeira.
Seguimos, então, para a Casa dos Levadeiros do Lombo Barbinhas. Mas não nos demos por rendidos. Descemos para a Levada do Seixal, e em vez de descermos directamente para o Chão da Ribeira, resolvemos arriscar um pouco mais e seguir para os lados da Calheta, com a intenção de descer a Vereda das Feitas. Passámos a Ribeira da Hortelã, onde houve uma grande derrocada que destruiu um pouco a beleza deste canyon. Mais à frente, antes da boca do túnel que permite chegar à Levada da Rocha Vermelha, tomámos a Vereda das Feitas, que galgando o Lombo das Faias, nos permite chegar ao Viveiro das Trutas no Chão da Ribeira. Uma grande parte da descida já foi feita de noite, de lanterna em riste. Mas aventura também é isto. Mais um passeio agradável, sempre em boa companhia.

Chão da Ribeira – Bosque – Vereda da Fonte do Galo – Vereda Antiga da Terra Chã (Vereda das Furnas) – Vereda da Terra Chã – Vereda da Esmoitada da Urzeira – Levada do Norte – Lombo Barbinhas – Levada do Seixal – Ribeira da Hortelã – Vereda das Feitas – Lombo das Faias – Chão da Ribeira

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Boca do Risco, uma vez mais

Domingo, 5 de Fevereiro: mais um domingo, mais um passeio com os Amigos da Natureza, hoje para os noroeste da Ilha. Muitos foram os que não quiseram perder esta oportunidade de passar pela Boca do Risco e pelo Pico Castanho, pelo que prontamente responderam à chamada de hoje.
Saímos do Funchal rumo a Machico à hora habitual. A paragem para café não foi muito demorada, pelo que encaminhamo-nos logo para a Portela, ponto de partida para esta aventura de hoje.
O grupo era bem grande e juntá-lo para uma foto de família não foi tarefa fácil. Ainda assim, conseguimos. Posto isso, foi tempo de se fazer ao caminho, pela Estrada Florestal das Funduras, em direcção à Vereda do Pico Cedro. O grupo foi seguindo disperso, já que cada impunha o ritmo que mais lhe era adequado.
A descida pela Vereda do Pico Cedro foi um tanto atribulada, já que o piso escorregadio, associado à inclinação não deu margem para muitas manobras. Rapidamente chegámos à Levada da Maiata, que seguimos até ao Ribeiro da Maiata, donde subimos para o Larano e depois para o Cabo de Larano, onde começa a Vereda da Boca do Risco.

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Por aqui, tivemos tempo para apreciar as vistas sobre o Curral do Mar, sobre a Penha d’Águia e toda a envolvência da paisagem. Apreciámos os Picos lá em cima, apreciámos o sol, as nuvens e o mar. Os terrenos cultivados davam outro enquadramento a esta moldura natural. Depois de um pequeno lanche, seguimos pela vereda até à Boca do Risco, onde o grupo se dividiu: quem optou por subir para o Pico Castanho preparou-se para um caminho mais sinuoso; quem escolheu o percurso mais fácil, seguiu para a Levada do Caniçal, tomando depois o rumo do autocarro, que nos esperava, a todos, à boca do túnel do Caniçal.
Ora, nós seguimos para o Pico Castanho. As paisagens são de cortar a respiração. Quem nunca teve oportunidade de se deliciar com estas vistas sobre a costa noroeste e sobre o Caniçal e a Ponta de São Lourenço não consegue ficar indiferente. O êxtase é alcançado quando se tem a cidade de Machico aos nossos pés, depois de vencido o Pico Castanho, que com o seu marco geodésico se agiganta lá no alto, possibilitando um vislumbre para as terras do Santo da Serra.
A descida final depois do Pico Castanho foi sinuosa e ziguezagueante, motivando ainda algumas gargalhadas entre o grupo. Lá em baixo esperávamos a Levada do Caniçal, que não tardou muito conseguimos alcançar. Assim terminou mais uma caminhada nas nossas serras, sempre em agradável companhia. Não tarda nada haverá novas aventuras...

Portela – Vereda do Pico Cedro – Levada da Maiata – Larano – Boca do Risco – Pico Castanho – Caniçal