A chamada foi feita à hora habitual, no local do costume e saímos directos para o Ribeiro Frio, onde tivemos oportunidade para tomar um café energizante. Depois de tudo preparado, fizemo-nos ao caminho. O primeiro objectivo era alcançar o miradouro dos Balcões. O dia estava límpido, claro, cristalino. A cordilheira central agigantava-se sobre a Fajã da Nogueira. As encostas molestadas pelo fogo contrastavam com o verde da floresta que soube resistir às investidas das chamas. Os tentilhões pareciam esfuziantes, saltando de um lado para outro, na esperança de que lhes déssemos alguma migalha para o pequeno almoço. Deixamo-nos ficar, apreciando a paisagem que nos envolvia.
Como o grupo era grande, facilmente se dispersava. Enquanto uns ainda estavam nos Balcões, outros já se tinham lançado na descida até à Fajã da Nogueira. A vereda não se encontra no melhor estado, ainda assim está transitável.
Na Fajã da Nogueira, junto à lagoa, o grupo fez uma paragem para merendar, isto antes de se aventurar na subida pelo Montado do Sabugal, até à Casa dos Levadeiros, sempre pelo caminho florestal. Lá em cima, nova paragem para um gole de água, antes de seguirmos pela Levada do Pico Ruivo, em direcção ao Caldeirão do Inferno.
O túnel com quase dois mil metros é uma verdadeira prova para todos. Atravessá-lo mostrou-se, no mínimo, uma aventura. Mas do outro lado esperava-nos um verdadeiro paraíso. O Caldeirão do Inferno, num belo dia de sol como este, ganha novas cores, novos contornos, novas formas. Foi simplesmente fantástico poder contemplar este lugar.
A descida para a Levada do Caldeirão Verde transformou-se, também, numa verdadeira surpresa, dados os arranjos que estão a levar a cabo nesta parte do percurso. A perigosa escadaria de outros tempos deu lugar a uns degraus simétricos ladeados por um varandim de segurança que garante a qualquer caminheiro um percurso bem mais confiável.
O próximo objectivo era chegar ao Caldeirão Verde, que, embora com pouca água, se apresentou, como sempre, belo. Os verdes misturam-se numa mescla anestesiante. Os raios de sol que espreitavam lá do alto pareciam querer pintar arco-íris no ar, ao som da água que se precipitava na lagoa. Ficámos por aqui algum tempo, antes de regressarmos à levada para segui-la até à derivação para o Vale da Lapa.
A tarde corria apressada. O tempo não tinha parado, pese embora a nossa vontade de ficar por ali a apreciar a paisagem que nos rodeava. Do Vale da Lapa à Ilha a mudança é notória. Saímos do meio da Laurissilva e mergulhámos numa floresta de transição, embora as urzes sejam uma presença constante.
Na Ilha, depois de uma descida extenuante para muitos, tivemos tempo para cantar parabéns e comer bolo. E assim se passou mais um belo domingo na serra, na companhia dos Amigos da Natureza.
Ribeiro Frio – Balcões – Fajã da Nogueira – Montado do Sabugal – Casa dos Levadeiros – Levada do Pico Ruivo – Caldeirão do Inferno – Caldeirão Verde – Vale da Lapa – Ilha
