Sábado, 3 de Setembro de 2011

Pelo alto, na Levada do Norte

Sexta-feira, 2 de Setembro: Mais um passeio atípico, não tanto pelo percurso, mas sim pelo dia em que o mesmo se realizava. Com alguns amigos folgados, juntámo-nos e lá fomos serra fora. Embora inicialmente a costa Norte fosse o nosso destino, acabámos por ficar pela Ribeira Brava, percorrendo, então, a Levada do Norte.
Começámos o passeio na zona da Boa Morte, um pouco antes do Parque Empresarial, na zona onde a levada se cruza com a estrada. Por aqui a vegetação é dominada por pinheiros e pouco mais. Andando alguns metros, as vistas sobre o vale da Ribeira Brava são soberbas. À nossa ‘frente’ vemos as Furnas e o Pomar da Rocha. Aos nossos pés temos a Serra de Água. Da lado esquerdo, temos São João. Lá mais para baixo, temos a Vila e o Lombo Cesteiro. Nada como apreciar cada recanto.
Seguindo caminho, sempre na Levada, depressa chegámos à Eira do Mourão. Aqui as vistas voltam a surpreender-nos. O casario enfileirado no cume do lombo é deveras impressionante.
Continuámos. A Levada do Norte está de novo operacional. Dizemos de novo porque quando nela passámos há alguns meses atrás a água não corria. Mais adiante, em conversa com um dos levadeiros de serviço ficámos a saber que está operacional há cerca de 6 meses, embora com muito menos água do que noutros tempos.

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Ao longo da levada são muitos os terrenos que outrora eram agricultados, mas que agora estão votados ao abandono. Os socalcos desciam a encosta e punham à prova a valentia daqueles que rasgavam a terra com a força dos braços para nela semearem o pão da sobrevivência. Era assim noutros tempos, hoje o abandono é a realidade.
Aqui e ali a levada dá mostras da sua fragilidade. Os tubos que foram colocados para ‘remendar’ os estragos feitos pelo temporal de 20 de Fevereiro já começam a ‘verter águas’. As pedras caem constantemente. O ideal seria reconstruir o canal nos moldes de outros tempos, pois só assim se conseguia uma maior durabilidade.
Da conversa com o levadeiro ficámos a saber que há mais de 8 anos um cabra resiste à passagem do tempo, reclusa que ficou da nossa morfologia por essa altura, quando faziam uma ‘perseguição’ aos animais que ainda viviam nas serras.
Os abismos são outra das surpresas que temos, cada vez que percorremos este troço da Levada do Norte. Há zonas onde uma queda é visivelmente fatal. Mas não deixa de ser anestesiante olhar de cá de cima a estrada que rasga a Serra de Água. Surpreendidos ficámos, também, com a quantidade de veredas que ainda temos para descobrir por esta zona.
Ao chegar à Ameixieira deparámo-nos, ainda, com a destruição dos temporais. A partir daí, até à Central da Serra de Água, na levada já não corre água e o canal encontra-se em péssimo estado. Mas lá conseguimos alcançar a Central, donde descemos, por veredas, até ao centro da freguesia.
E assim terminou mais um dia bastante agradável.

Boa Morte – Levada do Norte – Eira do Mourão – Levada do Norte – Ameixieira – Levada do Norte – Serra de Água

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